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A ESCOLA DO SABER
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- Vera Vaz -
Trechos do Capítulo 8

I Parte
O fim da escola medíocre, especialista em matérias
8 - O outro Brasil...
 

E temos o outro Brasil, maior que este, classe média, que, ainda que aos trancos e barrancos, se vira.

É o Brasil que não tem escolha, que, a parte os 18,4% de analfabetos, também vai à escola!

O Brasil analfabeto, o Brasil subnutrido, o Brasil sem Saúde!...

...Se entrarmos em uma instituição para menores infratores vamos constatar que 99% deles frequentaram, pelo menos por um período na vida, uma escola.

Nesta, que não teve estrutura para acolhê-los, estes meninos se depararam com seus primeiros fracassos oficializados - notas baixas, repetência e, em muitos casos, sofreram discriminações, falta de apoio e compreensão por parte dos professores e por conseqüência dos colegas! Acabaram por não se adaptar à escola e por abandoná-la!...

...Os professores parecem não se aperceber disso e vivem em busca do “aluno ideal”, desvalorizando, discriminando e oficializando, através de notas baixas e repetência, os fracassos dos que não se enquadram nesta imagem!

Desvalorizam também o aluno sabidão, o CDF, fazendo com que a figura de quem tem conhecimento seja confundida com a de um panaca! Gostam do aluno médio, submisso e comportado!...

...De sua parte a escola pública tem que se abrir a estes e deixar penetrar em seu seio projetos e pessoas de boa vontade e com conhecimento, para nelas se apoiar e ter respaldo para mudar...

   
 


...As ONGs e empresas que estão patrocinando projetos educacionais e culturais tem que se aproximar da escola pública, utilizar seu espaço físico e sua estrutura para se instalar, ao invés de formar uma “rede paralela” - que muitas vezes é, num certo sentido, discriminatória também, pois, se dedica especialmente a “carentes”, taxando e discriminando por um outro lado.

Estes projetos não podem se contrapor à escola existente, eles tem que ser parte da própria escola formal, se amalgamar a ela e com esta manter estreito compromisso e integração, pois, a simples convivência destes educadores “informais” com o antigo professorado, já será a melhor reciclagem que estes poderão ter para se livrar da velha maneira de encarar aos alunos e ao Saber.

 

 

A Escola tem que se adaptar à sociedade para poder servi-la condignamente e justificar sua própria existência e custo! A sociedade tem que se aproximar da escola para conseguir ter uma instituição que sirva ao interesse de todos.

O Brasil tem que ser um só para todos os seus cidadãos!

 

 
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Proposta para começar a mudar
 
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PRA RIR
Numa roda de amigos, o sabichão diz:
— Hoje em dia é fundamental cursar uma faculdade! Sabe o que vira um cara que só tem o segundo grau? Motorista de ônibus! — e repete
— Motorista de ônibus! Eu, graças a Deus, terminei minha faculdade.
— E o que você virou? — pergunta um dos amigos.
E o estudioso responde:
— Cobrador...
 
 
ESTATÍSTICAS

Pesquisa referente a 2004, do Ibope em oito países da América Latina, mostra que os 40% mais pobres da população brasileira são, junto com os mexicanos, os que menos acessam (apenas 10%) a internet, na comparação desse segmento com a média dos seus vizinhos continentais - 14%. Na faixa dos 10% mais ricos, ao contrário, 82% dos brasileiros navegam, acima da média latino-americana de 73%. Quando comparados quatro países (Argentina, Brasil, Chile e México), o brasileiro é o que paga mais caro para ter um computador em casa: US$ 833, equivalentes a 11,1% da renda média brasileira per capita. Na Argentina, o preço é de US$ 492 ou 4,5% da renda média per capita argentina.
 

 

 

 

 

 

 

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que Giulia Pierro preparou e publicou no
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Van Gogh

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Assim falou um poeta...

O ANDAIME

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.

A 'sp'rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha 's'prança,
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.


Fernando Pessoa
 
Artesão
bio Marcelo Weber 
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