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A ESCOLA DO SABER
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- Vera Vaz -
Trechos do Capítulo 18

I Parte
O fim da escola medíocre, especialista em matérias
18 - O Papel Social da Escola
 

A Escola particular tem que responder, ainda, à questão sobre qual atitudes socializantes pretende tomar neste novo país democrático...

...Acho que a maioria ainda não percebeu o mal que acarreta a elitização do Saber e ainda concorda e apoia esta absurda diferenciação social até entre crianças...
...Em minha visão de país democrático, a escola particular, se é que deve continuar a existir, deveria ser obrigada a receber em seu seio um grande percentual de alunos de outros níveis sociais sob forma de bolsas de estudo, pagas pelo próprio governo, sem prejuízo comercial de nenhuma espécie para estas, já que são instituições privadas que visam o lucro, e que vivemos num país que aceita e propaga isto como meta de vida e deixa que a Educação de seu povo seja usada como forma de "negócio" e enriquecimento.
...O mundo não aceita mais isso!
Por que, então, criarmos nossos filhos, cidadãos do futuro, dentro desta velha ordem social?
A escola, em geral, tanto a pública como a particular, tem que entender que é preciso devolver ao povo a auto-estima que este perdeu ao longo de sua história e deve ter presente que a instituição escola pode ter um papel importantíssimo neste resgate...

 

   
 
 

...Quando uma pessoa vem apresentar alguém para pedir um emprego, usa como qualificação e referência: -"Ele é crente"...

A escola pode e deve vir a representar na vida dos estudantes e de uma comunidade estes papéis de identificação, porém, não conseguirá isto da maneira como está hoje estruturada: visando somente objetivos em si mesma e em seus conteúdos de almanaque, desvalorizando os alunos, chegando mesmo a expulsar dela os que não se integram a sua visão de aluno ideal, sem usar seus espaços para o convívio da comunidade, sem levar seus alunos a adquirirem posturas morais, de convívio social, de higiene e de cultura, que seriam importantes no decorrer de suas vidas.
Um dia, a escola já desempenhou este papel e se a figura do professor ficou historicamente tão valorizada, certamente, não foi por ter passado conteúdos de equações matemáticas ou regras gramaticais, mas, por ter dado uma importante parte na formação de ser humano como um todo aos alunos!
Isso se conseguiria, usando o espaço da escola para as mais diversas atividades políticas - não politiqueiras -, sociais e culturais, unindo o esforço conjunto de diversos segmentos do poder público e da sociedade...

 

 

...A Escola há que se organizar para abrir suas portas à sociedade, para que ali se forme um verdadeiro centro difusor de cultura, socializante e útil a toda a comunidade. A idéia é que se pudesse usar como qualificação e referência, algo parecido com o que hoje se usa para o crente:

"Ele é estudante de nossa escola"...

 
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Livro
"A escola não é uma empresa"
O neo liberalismo em ataque ao ensino público

Christian Laval, 2004
324 pg.
Editora Planta

Veja entrevista do autor
A Escola está submetida a pressões para se adequar aos novos mandamentos do neo-liberalismo. A competição econômica mundial ameaça que todo sistema educativo se reduza a um produtor do “capital humano” necessário às empresas.
Laval descreve aqui o ataque do neo-liberalismo a educação, a partir de uma perspectiva histórica e baseado na experiência de vários países.
A privatização do ensino envolve muito mais do que a simples cobrança por um serviço. Ela influencia conteúdos, procedimentos e relações de poder dentro da escola, que passa a funcionar com base no dogma do mercado.
Laval realizou uma pesquisa profunda, na qual baseia seus comentários sobre as “recomendações” da OCDE, Banco Mundial, OMC e U E.
Elas enfocam liberdade de escolha pelos “consumidores da escola” e por uma “profissionalização” dos cursos. É uma metamorfose do ensino, que leva a mercantilização geral do conhecimento e aprendizagem, e reforço das desigualdades.
Mas a realização integral da escola neo-liberal não é inevitável, conforme assegura Laval. Resistências surdas e lutas coletivas afloram em muitos locais, movidas pela consciência dos perigos desta mutação imposta pela globalização do capitalismo.
Os atores da escola vão encontrar aqui um debate crucial para o modelo de civilização que desejamos para nós.

efraim rodrigues, Ph.D. Universidade Estadual de Londrina
O índice do livro pode ser visto clicando aqui

 

 

 

 

 

 

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Um mergulho no amarelo

Van Gogh

Haystacks in Provence
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Assim falou um poeta...

Teus olhos entristecem.
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.


Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.


Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.


Fernando Pessoa, 19-10-1935

 
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Irmãozinho


A garotinha olha para a barrigona da mãe, novamente
grávida e pergunta:
-Mãe, o que tem aí dentro?
-É um irmãozinho pra você, filha!
depois de alguns intantes, a menina pergunta,
intrigada:
-E... você gosta dele?
-Mas é claro que sim, querida.
-Então... porque você COMEU ELE, mãe?!